STJ defende intervenção para barrar paralisação na Justiça
20/09/2004

Greve paulista

Para o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Edson Vidigal, a greve do Judiciário paulista é ilegal, e a insistência em manter o movimento grevista resulta "num radicalismo". O ministro defendeu a intervenção federal no estado.

Segundo ele, a iniciativa teria que partir do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Luiz Elias Tâmbara, que encaminharia o pedido ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

"O povo de São Paulo é refém dos grevistas. Quantas audiências deixaram de ocorrer nesse período. Quantas mães deixaram de receber os alimentos por causa da greve. Isso é danoso", afirmou Vidigal, depois da cerimônia de inauguração do pavilhão nacional no pátio do STJ.

De acordo com o ministro, "falta bom-senso". O ministro considerou importante a decisão do desembargador Tâmbara no que diz respeito ao desconto dos dias de paralisação.

"Essa receita (intervenção federal) está prevista na Constituição federal", enfatizou o ministro Vidigal. "Na legalidade, só a Constituição pode ter resposta para todos os desafios".

O ministro já havia se manifestado em relação à greve, na semana passada, quando visitou a cidade de São Paulo. "Em São Paulo, há quase noventa dias, a democracia não se realiza, a República está ferida, o Estado está capenga, o governo está incompleto. É caso de intervenção federal para garantir-se o livre funcionamento de um dos poderes", disse.