Jovem com paralisia cerebral recebe carteira de advogada
29/05/2008

Limitação superada

Flávia Cristiane Fuga e Silva é um exemplo de superação. Portadora de paralisia cerebral, ela se comunica com a ajuda de um computador especial, uma vez que a paralisia impõe limitações de fala, de locomoção e de equilíbrio físico. Isso não impediu que ela se formasse em Direito, fosse aprovada no Exame de Ordem, e se tornasse a primeira bacharel com a doença a receber a carteira de advogada da seccional paulista da OAB.

Flávia colou grau de bacharel pela Faculdade de Direito do Vale do Paraíba (Univap) em 2006. “Será um momento de alegria para toda a família, porque a ela superou todas as limitações e conseguiu se formar em Direito. Flávia era uma das melhores alunas em sua sala de aula, sempre tirando notas boas. E este esforço é coroado com a aprovação no Exame de Ordem da OAB”, diz o pai da advogada, Eliezer Gomes da Silva, que também é advogado.

De acordo com o pai, Flávia escreveu sua peça profissional, na segunda fase do Exame de Ordem, no teclado virtual do seu computador. “Venceu uma prova que muitos não conseguem superar e que é importante para a profissão”, afirmou. Eliezer contou que Flávia trabalha com ele no escritório como estagiária inscrita na OAB. Apesar de ter grande interesse pelo Direito Penal, atua em Direito de Família.

Para o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, o esforço de Flávia demonstra determinação. “Temos de parabenizar esta nova advogada pelo seu esforço e seu exemplo para aqueles que desejam um dia advogar. Tenho absoluta certeza que este evento na história da OAB-SP vai resultar em condições mais adequadas de inserção social daqueles que apresentam necessidades especiais, que sempre foi bandeira de luta da Ordem paulista”, garantiu D’Urso.

Para Luiz Carlos Pegas, presidente da subsecção de São José dos Campos, a concessão da Carteira da OAB a pessoas com condições físicas desfavoráveis, mas capazes intelectualmente, demonstra que a OAB-SP pratica o que prega.

Revista Consultor Jurídico, 29 de maio de 2008