Mãe acusada de jogar bebê em lagoa quer a guarda da criança
25/02/2008

Bebê foi colocado em saco de lixo e jogado na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte.
Menina vive atualmente com família adotiva que foi escolhida pela Justiça.



Simone foi condenada a oito anos e quatro meses de prisão por tentativa de homicídio. Em novembro, o Tribunal de Justiça aumentou a pena para nove anos de reclusão. Durante o julgamento, ela negou ter jogado a criança na água e disse que deu o bebê a um casal que passava perto lagoa da Pampulha. Ela desconfia que um deles tenha jogado a criança na água.

A menina, encaminhada para adoção, vive com uma família substituta, escolhida pela Justiça. E o futuro da menina também vai depender de uma decisão judicial. Três partes disputam a guarda da criança: o casal que cuida da menina atualmente, o avô e Simone.

O casal que tem a guarda da menina há dois anos foi o primeiro a entrar com o pedido de adoção definitiva. A identidade deles é protegida pela Justiça. O avô, pai de Simone, também quer a guarda da neta. Procurado pela reportagem na casa onde mora, na periferia de Belo Horizonte, ele não quis dar entrevistas.

Durante a entrevista com Simone, no presídio, ela reafirma que não jogou a filha na água e que deu o bebê para um casal desconhecido. "Eu não me recordo. Já tem dois anos, então faz muito tempo, eu não lembro direito do que eu disse. Eu não consigo lembrar o fato todo no momento até porque eu estava passando por um momento difícil. Eu estava fazendo tratamento psiquiátrico", disse Simone.

A gravidez foi uma surpresa para Simone. Ela disse que só soube que teria uma segunda filha quando teve uma hemorragia e que não notou nenhuma mudança em seu corpo.

"Foi um choque. Não é questão de querer ou não querer a criança, mas você se surpreende", disse Simone. "Eu abandonei [minha filha], mas eu estava doente e ninguém vê isso. Só quem teve depressão ou passou por uma depressão sabe dizer o que é que naquele momento aconteceu comigo." Hoje, ela diz que está melhor.

Procurado pela reportagem, o médico Jansen Campomizzi escreveu uma carta em que faz uma análise profissional de Simone. Na carta, o psiquiatra diz que Simone tem grande possibilidade de realizar outros delitos, despreza as instituições e não apresenta sentimentos de culpa ou remorso.

Mesmo assim, a promotora da Infância e Juventude Maria de Lourdes Fantasema não descarta que Simone ou alguém de sua família tenha a chance de ficar com a criança.

A decisão será tomada nas próximas semanas pela Justiça de Minas Gerais.

"Eles não podem me manter presa para o resto da vida. Eu vou sair. E na hora que eu sair, eu vou correr atrás da minha filha. Enquanto eu estou presa, estou impossibilitada, mas quando eu sair, não. Ninguém vai me segurar", disse Simone.


Fonte: www.ibdfam.org.br